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1) A revolução venezuelana encontra-se numa encruzilhada. Após ter derrotado em duas ocasiões a contra-revolução, agora ela enfrenta uma nova e poderosa ofensiva. Isso quer dizer que as forças contra-revolucionárias não se conformam com a derrota. Cada vez estão mais desesperadas e seu desespero as tornam mais decididas e violentas. Andam combinando os métodos legais e semilegais de luta (campanha do “referendo”) com a preparação da luta armada. Os primeiros têm um objeto de propaganda para o consumo externo e uma importância secundaria. Os segundos constituem a essência da sua estratégia. Tudo combinado com uma campanha de sabotagem econômica, alteração da distribuição de alimentos e atos subversivos.
2) A captura de paramilitares colombianos na Venezuela indica a existência de uma conspiração bem preparada para derrubar o governo e assassinar Chávez. Os perigos que enfrenta a revolução são muito reais. Chegou a hora de tirar as conclusões necessárias e dar os passos para golpear decisivamente á contra-revolução.
3) A sociedade venezuelana esta extremamente polarizada a favor e contra a revolução bolivariana, á direita e a esquerda. Na esquerda estão os trabalhadores, camponeses e pobres venezuelanos, lutando para defender a revolução e levá-la para frente. Á direita encontram-se os contra-revolucionários venezuelanos, e á frente deles os banqueiros, latifundiários e capitalistas, que tem conseguido arrastar ao seu lado uma parte importante da classe media. O abismo entre estes dois campos contrários é enorme, e não pode ser superado. Toda tentativa de compromisso é inútil.
4) O imperialismo americano continua impulsionando, apoiando e financiando as forças da contra-revolução interna, da qual espera que faça o trabalho sujo para eles. Mas, corretamente, chegou a conclusão de que a oposição interna é fraca demais para ter sucesso quando baseada somente nas próprias forças. Portanto, Washington prepara uma campanha de terror, usando as forças paramilitares colombianas que trabalham em colaboração com os contra-revolucionários internos. Isso significa uma declaração de guerra
5) Mais cedo ou mais tarde, a situação deverá ser resolvida com uma vitória decisiva num sentido ou outro. A revolução ainda não atingiu o ponto em que não tem mais volta atrás. Todas as conquistas das massas com o governo Chávez podem ainda ser liquidadas. O movimento pode ser empurrado para trás. Isso é o que tentam conseguir os contra-revolucionários enquanto os trabalhadores lutam por derrotá-los. A questão do poder ainda não foi decidida. Num próximo futuro a batalha decisiva deverá ser travada e vencida.
6) Quem são os contra-revolucionários? São os mesmos burgueses que governaram Venezuela por décadas. Depredaram e levaram o pais á falência, enquanto enchiam os bolsos e a conta bancaria com a riqueza criada pela classe operária. São os funcionários locais do imperialismo dos EUA, os mesmos políticos e burocratas degenerados e corruptos contra os quais Hugo Chávez rebelou-se, expressando a vontade do povo venezuelano.
7) O programa da contrarrevolução é uma mistura de mentiras, fraude e hipocrisia. Pretendem estar defendendo a “democracia” mas “esquecem” que Chávez venceu com justeza e maiorias convincentes todas as votações. Pretendem defender o cumprimento da lei, mas agridem constantemente as leis até o ponto de tentar dar um golpe de estado para derrubar um governo eleito democraticamente. Pretendem defender a ordem, mas constantemente provocam desordem e caos para tentar dar cobertura ás suas conspirações. Dizem-se patriotas venezuelanos, mas venderam o país aos imperialistas norte-americanos e tem sua fortuna em contas bancarias na Florida. Agora apóiam ativamente a invasão da Venezuela por forças contra-revolucionárias estrangeiras.
8) Na luta entre a revolução e a contra-revolução, os contra-revolucionários tiveram uma grande vantagem: o controle dos pontos chave da economia. Durante a chamada greve (na verdade um lockout patronal), os capitalistas venezuelanos causaram um terrível dano a economia. As perdas totais ultrapassam os sete bilhões de dólares. Além disso, os chamados “patriotas” levaram bilhões de dólares aos bancos da Florida, privando a economia venezuelana do investimento necessário. Junto à sabotagem econômica estão atrapalhando a distribuição de alimentos controlada por três ou quatro grandes monopólios, para provocar altas artificiais de preços e falta de produtos básicos. Estão esgotando o sistema nervoso da Venezuela para tentar provocar o maior transtorno, desemprego e dor. Eles pensam que isso esfriará o entusiasmo das massas pela revolução. Também querem criar caos e desordem. Tentam criar as condições para um golpe de estado do alto comando do exercito com a desculpa da “restauração da ordem”.
9) O elemento decisivo desta equação é a classe operária. Os trabalhadores da Venezuela já começaram lutar contra os ataques dos empresários. Tomaram a iniciativa , em alguns casos ocuparam as fabricas deixadas pelos patrões, começaram introduzir elementos de controle operário em algumas empresas, criaram sindicatos democráticos e obrigaram os empresários a pagar os salários e benefícios não pagos. É preciso apoiar e generalizar estas iniciativas. Mostram o caminho que a Revolução tem pela frente.
10) Os chamados “dirigentes sindicais” da CTV estão cumprindo uma função particularmente prejudicial. Estes suboficiais operários do Capital corruptos e degenerados venderam faz muito tempo a alma aos empresários e a CIA. Renunciaram a ser considerados parte legitima do movimento operário. Foram expulsos do movimento.
11) A construção da UNT é uma tarefa urgente. Devemos fortalecer e construir os sindicatos democráticos, com um programa de luta. Construir uma federação sindical de massas! Elaborar um programa de reivindicações baseadas nas necessidades imediatas dos trabalhadores: luta contra o desemprego, o alto custo de vida, as fabricas fechadas etc.
12) A UNT anunciou recentemente uma campanha para organizar 80% dos trabalhadores nos sindicatos (publicamente apoiada pelo presidente Chávez). É um passo na direção certa. Organizando as camadas desorganizadas, a revolução pode cortar a grama sob os pés da velha e corrupta burocracia sindical de direita. Esta iniciativa deve ser implementada energicamente em todos os níveis. Ao mesmo tempo precisamos fazer um chamado aos trabalhadores que continuam nos sindicatos filiados á CTV para eles lutarem pela democratização e a filiação a UNT. Onde isso não for possível será preciso criar novos sindicatos democráticos, mas sempre com o objeto de organizar todos os trabalhadores e não só as camadas mais avançadas.
13) Para evitar a sabotagem, o desperdiço e a corrupção, os trabalhadores da industria devem começar com o controle da produção. Os funcionários corruptos devem ser expulsos. Os diretores que participaram na contra-revolução e a sabotagem serão advertidos: ou desistir dessas atividades e servir ao povo, ou ser demitidos sem pensão e outros direitos. Os casos sérios de sabotagem devem ser punidos com arrestos e prisão. Os diretores corruptos e contra-revolucionários devem ser substituídos por pessoas honestas e dedicadas a causa da revolução. Isso pode ser conseguido só com a introdução do controle e direção democrática dos trabalhadores.
14) Podem os trabalhadores administrar a industria? As pessoas céticas que questionavam a capacidade dos trabalhadores para dirigir a indústria tiveram sua resposta. Foram os trabalhadores que derrotaram as tentativas dos empresários de sabotar a economia há dois anos fechando as empresas. Os trabalhadores de PDVSA demonstraram sua capacidade para gerenciar mesmo as maiores e mais complexas industrias, com um grande nível de qualificação e competência.
15) De qualquer jeito, os trabalhadores não estarão sozinhos. Terão a ajuda da maioria de engenheiros, cientistas, técnicos e diretores honestos, que não são sabotadores ou contra-revolucionários e que realmente desejam uma Venezuela de sucesso e prosperidade. A população da Venezuela tem enormes reservas de talento e criatividade. Levarão para seu lado o que tem de melhor na sociedade venezuelana, incluindo os melhores intelectuais. A criatividade da população sofre paralisia sob o capitalismo, um sistema que coloca os lucros por cima do interesse da maioria. Isso também é verdade para aqueles que ocupam posições de dirigencia em níveis baixos. Numa economia socialista planejada, suas habilidades poderão ser bem aproveitadas com a aplicação da tecnologia e métodos mais modernos para estimular a produtividade em interesse de todas as pessoas.
16) O controle operário acabará imediatamente com toda a corrupção, desperdiço e nepotismo, os excessivos e extraordinários lucros dos empresários. É preciso abrir os livros de contabilidade! Revelar assim os verdadeiros lucros das empresas, reduzindo o desperdiço e encaminhando estes recursos para o desenvolvimento da Venezuela. Porém, o controle operário não resolve os problemas fundamentais da sociedade. É só um passo de transição para a nacionalização dos meios de produção e a economia planejada.
17) Já existem elementos de controle operário. Os trabalhadores ocuparam algumas fábricas fechadas pelos empresários. Durante a sabotagem da industria petroleira, mesmo Hugo Chávez expressou seu apoio a palavra-de-ordem: “Fabrica fechada, fabrica ocupada pelos trabalhadores”, mas depois o governo não tomou nenhuma providencia seria para resolver o problema dos trabalhadores que tinham ocupado as fabricas. Os casos isolados de controle operário só podem triunfar parcial e temporariamente. É preciso um plano completo de produção que possa integrar os diferentes setores da economia e a produção. Mas o planejamento e integração batem de frente contra a anarquia capitalista (o “mercado”). Não pode existir progresso real sem superar os obstáculos.
18) O principal poder da contrarrevolução consiste na possessão dos meios de produção. Continua a exercer o controle sobre os pontos chave da economia, que usa para amarrar uma corda no pescoço da população venezuelana. O único jeito de parar a sabotagem econômica e eliminar o desperdício e a corrupção (que são conseqüências inevitáveis do capitalismo), e a destruição da fortaleza econômica da burguesia. Enquanto os contra-revolucionários continuarem a deter o poder econômico, a revolução estará lutando com uma mão amarrada as costas.
19) A terra, os bancos, as empresas de seguros e as grandes industrias devem ser nacionalizadas. Isso pode ser feito com a aprovação urgente de uma lei no Congresso, apoiada num chamado aos trabalhadores para assumirem o controle e impedirem a sabotagem dos empresários, garantindo uma transição pacifica e em ordem para uma economia planejada. O presidente da republica pode explicar este passo para a população aparecendo na tv para falar dos escandalosos lucros dos empresários, a corrupção e o nepotismo, a sabotagem sistemática da economia etc.
20) Nacionalizando os pontos chaves da economia sob a direção e controle democrático dos trabalhadores será possível introduzir um autêntico plano de produção para encaminhar todos os recursos da Venezuela para a satisfação das necessidades da população: um programa de construção de moradias, escolas e hospitais podem começar imediatamente, usando a ampla receita petroleira do país para financiar um ambicioso programa de investimentos. O desemprego poderia ser eliminado, tendo todos os cidadãos o direito e a obrigação de trabalhar. Este plano garantindo uma melhora imediata do nível de vida da imensa maioria só seria possível baseado na nacionalização. Não pode ser planejado o que não pode ser controlado, e não pode se controlar o que não se possui.
21) Se não forem dados passos decisivos para a toma do controle da economia, a população venezuelana deverá enfrentar um futuro de caos econômico, desemprego e pobreza. A enorme riqueza petroleira do país não será suficiente para evitá-lo. Mas mesmo assim, a tentativa de unir medidas de nacionalização junto com a economia de mercado provocaria distorções, e particularmente inflação, que acabariam com os logros conquistados. A nacionalização dos pontos chaves da economia é, portanto, uma medida absolutamente necessária e urgente de autodefesa para a maioria, para a proteção dos seus interesses vitais e o direito mais fundamental: o direito a vida.
22) O primeiro passo deve ser a nacionalização dos bancos. Uma grande parte do sistema bancário venezuelano está sob controle de dois grupos bancários espanhóis. Além disso, uma grande porção do dinheiro que circula no sistema financeiro durante o ano é na verdade propriedade do estado, diretamente ou através de estatais como a PDVSA. Mas o controle destes recursos financeiros está em mãos privadas e é usado para financiar a contra-revolução e sabotar a economia. Sem a nacionalização dos bancos será impossível o planejamento da economia. O controle do credito é uma das alavancas fundamentais na economia moderna. Sem ele, nada pode ser implementado. O estado deve saber quanto dinheiro existe, sua procedência e seu destino. A rigorosa contabilidade nacional é condição previa de uma economia planejada.
23) A nacionalização dos bancos iria permitir ao estado exercer um controle real e não fictício sobre a economia, controlar o fluxo de capital e o investimento naqueles setores importantes para a maioria e para os requerimentos objetivos da economia. Os trabalhadores bancários podem ter um papel importantíssimo na nacionalização dos bancos. Sabem todo em relação aos enganos e movimentos especulativos de capital. Sabem como os contra-revolucionários usam grandes somas de dinheiro para a sabotagem e a conspiração. É preciso um chamado aos trabalhadores bancários para o controle do movimento de capital, para garantir uma tranqüila mudança de mãos do setor e evitar atos de sabotagem.
24) Os sucessos da revolução são reais e palpáveis. É preciso tomar medidas importantes em interesse dos trabalhadores, dos camponeses e dos pobres, principalmente a reforma agrária, a saúde e os programas de educação que já atingiram milhões de venezuelanos. Mas todas estas conquistas estão sob ameaça, caso a contra-revolução voltar ao comando. Para estarem garantidas, as conquistas da revolução devem ser irreversíveis. Isso significa uma mudança fundamental na sociedade, que coloca sobre a mesa a questão do poder.
25) Toda revolução na historia, em ultimo caso, se resolve respondendo a pergunta: quem tem o poder? Quem manda em casa? Até não responder essa pergunta a revolução não terá acabado. No começo da revolução Hugo Chávez desafiou a velha oligarquia. Seu poder foi desafiado mas não foi completamente derrubado. Começou uma enorme luta, que ainda não se decidiu num sentido ou em outro. Todo depende do resultado desta luta.
26) A questão do poder pode-se reduzir a uma pergunta: quem controla o poder do estado? É a questão fundamental. O estado consiste, em essência, em corpos de homens armados: o exercito, a policia etc,. Num regime capitalista normal a burguesia controla o estado e o usa para oprimir a maioria da sociedade, para garantir seu poder e privilégios. Controla, além do exercito e a polícia, os juízes, a burocracia e todas as ramificações do poder executivo.
27) Porém, existem períodos extraordinários na historia, períodos em que a luta de classes atinge um ponto morto, quando as coisas não estão suficientemente claras. Venezuela está atravessando por uma situação complexa. O estado venezuelano é burguês? Na medida em que a burguesia continua a ser a classe governante, continua a ter e controlar os pontos chaves da economia, e seu poder econômico não foram quebrados, Venezuela continua sendo um país capitalista e o estado continua a ser burguês. Isso quer dizer que a revolução não chegou no final, ficou detida no meio do caminho e portanto o processo ainda pode virar seu contrario.
28) O estado é ainda burguês, mas é um estado burguês com características particulares. Como mais diferente temos que a burguesia –pelo menos temporariamente- perdeu o controle de partes importantes do seu próprio estado. Parece uma afirmação contraditória, mas é só a expressão duma contradição real que existe na sociedade. A sociedade venezuelana encontra-se dividida. A extrema polarização de classe afeta até ao estado, que também está dividido. Um setor do exercito passou para o lado da revolução bolivariana, incluindo a grande maioria de soldados normais e suboficiais, mas também uma quantidade significativa de oficiais como o mesmo Chávez . Isso criou enormes dificuldades para a burguesia venezuelana que não tem o mesmo controle do exercito e da casta de oficiais que existe na Grã Bretanha ou nos EUA.
29) Muitos oficiais apóiam sinceramente a revolução. Em geral, os graus superiores foram depurados após o colapso do golpe de estado em abril de 2002. Em geral, o ambiente predominante não é favorável a contra-revolução. A ameaça externa representada pelo imperialismo dos EUA e Colômbia fortalecerão o instinto natural de luta e apoio ao presidente do exercito. Os contra-revolucionários, pelo menos por enquanto, estão numa situação difícil. Mas é difícil dizer do lado de fora qual é a verdadeira correlação de forças dentro do exercito. Só os acontecimentos futuros darão a resposta.
30) Definitivamente, a correlação de forças dentro do exercito está determinada pela correlação de forças de classe na sociedade. Na medida em que a revolução avança e vence aos seus inimigos, tanto de dentro como de fora do país, na medida em que as massas estão em pé e ativas, a ala revolucionaria das forças armadas terá valor e será fortalecida. Mas as duvidas e retiradas animam os contra-revolucionários e debilitam a ala revolucionaria.
31) Chávez e seus seguidores baseiam-se no apoio das massas para golpear a oligarquia e ao imperialismo. Originariamente não tinham uma perspectiva socialista, mas só a idéia de modernizar Venezuela e acabar com a corrupção. Queriam uma sociedade mais justa e igualitária, mas pensavam poder consegui-lo sem romper os limites do capitalismo. Mas imediata e inevitavelmente entraram em conflito com o imperialismo e a burguesia. As massas tomaram as ruas e deram ao processo uma dinâmica totalmente diferente. O movimento de massas impulsionou Chávez e ele também impulsionou o movimento num sentido revolucionário.
32) Quando Hugo Chávez criou o Movimento Bolivariano sua intenção era limpar o estábulo fedorento em que tinha se convertido a vida política venezuelana. Era um objetivo limitado e humilde, mas encontrou a resistência feroz da oligarquia dominante e seus servos. Ganhou-se o ódio eterno dos ricos e poderosos, e a lealdade e amor das massas. Hugo Chávez pela primeira vez deu aos pobres e oprimidos uma voz e alguma esperança. É o segredo da sua extraordinária lealdade e devoção.. Acordou as massas para a vida e assim elas se vêem refletidas nele.
33) Isso explica também o ódio extraordinário que a classe dominante mostra para Chávez. É o ódio dos ricos pelos pobres, do explorador pelo explorado. Atrás desse ódio tem medo, pânico de perder toda sua riqueza, poder e privilégios. Este é um abismo que não pode ser salvado por palavras justas. É a divisão fundamental da sociedade de classes.
34) A revolução defende a democracia. Mas uma luta conseqüente pela democracia faz inevitavelmente a revolução entrar em conflito com os interesses criados dos latifundiários, banqueiros, capitalistas do imperialismo. Isso significa que se a democracia revolucionária quiser atingir seus objetivos deve se preparar para ir além dos limites do capitalismo. Deve empreender ações para destruir o poder econômico da oligarquia. Se não conseguir inevitavelmente o final será a derrota, a vitória da contrarrevolução e a erradicação da democracia na Venezuela.
35) Mesmo jurando pela democracia em cada frase, a oligarquia venezuelana e o imperialismo são os inimigos da democracia. Querem uma “democracia” na que todos possam dizer o que quiserem enquanto a minoria dominante decide o que acontece. A única classe sinceramente interessada na democracia é a classe operaria e seus aliados naturais, os camponeses pobres e os pobres urbanos. A verdadeira democracia só se conseguirá quando o poder da oligarquia seja destruído para sempre e o poder esteja em mãos da classe operaria. A necessidade não é a ficção oca da democracia formal burguesa, onde o poder real fica nas mãos dos banqueiros e capitalistas, mas uma verdadeira democracia da classe operaria, baseada na nacionalização da terra, os bancos, as grandes industrias e com um plano democrático de produção.
36) O programa imediato deve ser: a) fusão dos bancos e nacionalização do sistema bancário; b) fusão das empresas de seguros e nacionalização do setor financeiro; c) abolição do segredo comercial: abertura dos livros! d)controle e gestão operária da PDVSA e todas as outras grandes empresas e nacionalização de todos os outros setores da industria petroquímica, gás e energia; e)organização da população em associações e cooperativas para o controle dos preços e distribuição de comida e outros produtos, o que poderá ser implementado através da nacionalização dos monopólios que controlam a distribuição; f) nacionalização da terra, desapropriação das grandes fazendas e formação de cooperativas camponesas para desenvolver a agricultura; g)nacionalização das grandes empresas de transporte e criação de sistemas de transporte unificado; h)monopólio estatal do comercio exterior.
37) O imperialismo norte-americano está brincando de gato e rato com a Venezuela. Após a derrota de dois ataques diretos está recorrendo a táticas de assedio. Está colocando sob pressão aos outros governos da América Latina para isolar a revolução venezuelana, que considera um perigoso ponto de referencia para as massas descontentas de todo o continente. Está ameaçando a Venezuela com coloca-la de joelhos com sanções econômicas. Ao mesmo tempo está preparando ativamente uma campanha de terrorismo e subversão.
38) Com medo de se envolver diretamente, Washington está conspirando ativamente com os círculos dirigentes da Colômbia, não só para isolar a Venezuela e exercer pressão, mas mesmo para preparar uma intervenção direta contra a revolução venezuelana. Constantemente conspira na OEA para intervir nos assuntos internos da Venezuela. O papel da OEA é o de um “vizinho amigável” aconselhando quem está sendo assaltado por um bando de bandidos de não gritar muito alto para não provocar os bandidos nem incomodar a vizinhança. Com “amigos” desses a população venezuelana não precisa de inimigos!
39) Claro que é preciso usar a diplomacia –adotar todas as medidas possíveis para evitar o isolamento da Venezuela- para desenvolver relações de amizade, comerciais, etc com Argentina, Brasil, e, claro, com Cuba. Mas ficar centrado nisso seria extremamente míope. Os governos podem mudar e podem cair sob a pressão do imperialismo. Não existe garantia de que isso não vai acontecer no caso do Brasil ou a Argentina.
40) No ultimo caso, os únicos verdadeiros aliados do povo venezuelano são os trabalhadores e camponeses oprimidos da América Latina. Sempre se pode esperar sua ajuda para a defesa da revolução venezuelana, mas não dos seus governos. Finalmente, a verdadeira defesa da revolução venezuelana não consiste na diplomacia mas numa política revolucionaria consistente e internacionalista, com o objeto de espalhar a revolução pela América Latina e além.
41) O presidente Chávez mostrou um grande valor ao se enfrentar aos imperialistas. Ele falou: “Se tiver uma intervenção imperialista vamos lutar contra eles por cem anos”. Sem dúvida as massas estarão prontas para os maiores sacrifícios pela revolução. Elas acordaram para a vida política e tem uma nova esperança e sentido da sua própria dignidade humana. Assim, as massas têm umas enormes reservas de energia revolucionaria. Isso é uma coisa que os imperialistas e contrarrevolucionários são incapazes de entender. Mas basear-se só nessa capacidade de sacrifício das massas seria um erro. Elas podem sacrificar seu “hoje” pelo “amanha”, mas só até um certo ponto. Isso deve ser levado em consideração.
42) Finalmente a questão econômica é decisiva. Só em 2003 o PIB venezuelano caiu um 18%, apesar do alto preço do petróleo. Segundo alguns cálculos, o nível de vida caiu até o nível dos anos cinqüenta. Com esses métodos a contrarrevolução tenta diminuir o apoio ao governo, jogando a culpa nele pelos resultados da sua própria sabotagem. Por enquanto os planos da contrarrevolução não triunfaram. As massas permanecem ferozmente leais a revolução e ao presidente Hugo Chávez. Mas esta situação não pode durar indefinidamente.
43) Até agora a economia venezuelana contou com a ajuda da alta no preço do petróleo. Em 2003 o preço do barril de petróleo venezuelano (26,25 dólares) foi aproximadamente um 17% maior que o ano anterior. O presidente Chávez tentou aliviar os efeitos da crise introduzindo o controle de preços e câmbio. Parte da receita da PDVSA foi encaminhada a projetos sociais e de moradia. Os estritos controles de cambio aumentaram as reservas do Banco Central (BCV), de 13.000 milhões de dólares em janeiro para 22.000 milhões agora. A desvalorização do cambio oficial do dólar de 1.600 para 1.920 bolivares também ajudou. O ritmo de crescimento aumentou rapidamente, porém é em parte reflexo da natural recuperação após a queda pelo lockout empresarial.
44) Estas medidas conseguiram aliviar parcialmente as condições das massas. Serviu para ganhar tempo. Mas deverão pagar um preço. Sob o capitalismo a tendência é provocar inflação. O bolívar está se desvalorizando rapidamente no mercado negro. A inflação subiu até 27% anual –a maior da região- A longo prazo é insustentável. Mais cedo ou mais tarde refletirá novas crises mais severas, falta de produtos e desemprego. Os problemas fundamentais permanecem.
45) Se a revolução não avançar, se não tomar o controle dos pontos chave da economia, a alta do desemprego e a pobreza podem enfraquecer o espírito de luta das massas. Por enquanto não parece ser o caso. A recuperação econômica deu uma margem de manobra. As massas continuam leais a Chávez. A correlação de forças ainda é favorável a revolução e desfavorável a contrarrevolução. Mas isso pode mudar. Se as massas não verem uma mudança fundamental e principalmente uma ação decisiva frente aos contrarrevolucionários, a frustração e o desencanto podem começar. O pendulo pode voltar de novo á direita.
46) Começando com os menos engajados, as camadas desorganizadas, o ambiente de indiferença pode se espalhar entre as massas. Não vendo um avanço real, os trabalhadores podem ficar cansados e desiludidos. Com cada passo atrás os reacionários tomarão coragem e passarão ao ataque. Os elementos duvidosos podem passar para o lado da contrarrevolução. Este ambiente pode se espalhar ao estado. Alguns dos “amigos” da revolução no alto escalão da burocracia, o exercito e a policia podem abandonar o presidente e passar para o outro lado, argumentando que a revolução foi seqüestrada por “extremistas” que só conduzem ao caos. A imprensa salariada, com uma campanha intensificada de mentiras e calunias acabaria de preparar o cenário para um golpe de estado sob a bandeira da “ordem”.
47) As massas gastaram enormes quantidades de energia para conduzir á revolução ao seu estado atual. Percorreram um longo caminho, mas o ponto decisivo ainda não foi atingido, e por isso existe o risco de volta atrás do processo. Na base existe uma consciência crescente sobre a questão. A frustração cresce entre os ativistas. É este o perigo. Esta frustração pode levar á impaciência e aventurerismo ultra-esquerdista pela parte de militantes que chegaram além do resto da classe. Isso poderia ter conseqüências negativas para a revolução.
48) A reação foi derrotada, mas não desapareceu. Ficou no aguardo de uma situação favorável para agir. A idéia de que é possível acalmar a contrarrevolução com “moderação” é extremamente imprudente e contraproducente. A contrarrevolução e o imperialismo não podem ser apaziguados com palavras doces. Este fato pode ser visto no escândalo dos paramilitares colombianos. O que se precisa não é moderação, mas uma ação decisiva.
49) A revolução atraiu muitos amigos. A maioria deles é verdadeira e honesta. Mas alguns destes “amigos” não agem em interesse da revolução. Não são em absoluto revolucionários, mas reformistas. E o destino histórico do reformismo é sempre conseguir resultados opostos aos procurados. Sem dúvida possuem as melhores intenções, mas o caminho ao inferno está pavimentado de boas intenções.
50) Os reformistas pedem para não se fazer nada que possa provocar os imperialistas. Devemos ser prudentes, diplomáticos, etc, etc. Mas o argumento da “provocação” aos imperialistas é falso do começo ao fim. Os imperialistas não precisam ser provocados. Desde o primeiro dia foram hostis á revolução. Não perderam nenhuma oportunidade de ataca-la. Já organizaram duas tentativas de golpe de estado e preparam outra sob a bandeira do referendo. Não é esse ou aquele discurso, essa ou aquela ação o que provoca o imperialismo. A própria existência da revolução é para eles uma provocação. Não ficarão satisfeitos até destruí-la.
51) Os falsos “amigos” da revolução e os “marxistas” dizem que, já que a revolução venezuelana é democrática e popular, não socialista, não pode empreender ações contra a propriedade privada. Pura demagogia. A Revolução Americana do século XVIII foi uma revolução democrática burguesa. Os revolucionários de 1776 não duvidaram em desapropriar as posses dos partidários da coroa inglesa. Após a Guerra Civil Americana, o governo dos EUA não duvidou em confiscar a propriedade dos donos de escravos do Norte, com um valor de bilhões de dólares atuais. Estes exemplos da historia americana demonstram claramente que as exigências da revolução são mais importantes que os chamados sagrados direitos de propriedade.
52) Desde quando os direitos de propriedade duma minoria exploradora e opressora tem mais valor que as necessidades da imensa maioria? Democracia quer dizer governo da maioria. E nós defendemos uma democracia consistente. A revolução venezuelana, continuando com o exemplo da Revolução Americana, igualmente não deve duvidar para eliminar o poder econômico da minoria contrarrevolucionárias.
53) Um argumento que os reformistas usam freqüentemente é a necessidade de ganhar a classe media e portanto não ir muito longe no ataque ao imperialismo. A primeira parte desta afirmação é correta, mas entra em contradição com a segunda. É preciso e possível ganhar uma grande parte da classe media, mas isso nunca vai acontecer aceitando a política dos reformistas, que só afasta a pequena burguesia das massas e as joga nos braços da contra-revolução.
54) As classes exploradoras são uma pequena minoria na sociedade. Não podem governar sem a ajuda duma grande quantidade de sub-exploradores e sub-sub-exploradores. Usando seu poder econômico e seu controle dos meios de comunicação, mobilizaram a massa da classe media venezuelana para se opor á revolução. Sob a falsa bandeira da “democracia” organizaram enfrentamentos nas ruas. Suas tropas de choque são os filhos dos ricos –os sifrinos- , parasitas endinheirados, opostos fanaticamente ás massas. A pequena burguesia furiosa não perdoa as concessões feitas aos pobres, as quais consideram uma ameaça para os seus próprios privilégios. Fazem muito barulho quando requeridos, mas na verdade são só poeira humana, facilmente removível pelo vento quando enfrentados ao movimento de massas.
55) Porém, a pequena burguesia não é uma classe homogênea. Existem contradições dentro dela que podem conduzir a rachas na oposição. As camadas superiores da classe media estão formadas por elementos privilegiados –grandes advogados, professores universitários, diretores de bancos e políticos- mais próximos da oligarquia e seus dispostos servidores. As camadas mais baixas –pequenos comerciantes, funcionários bancários, pequenos camponeses, etc.- ficam mais perto da classe operária e podem ser ganhos por ela. Mas o jeito de ganhá-las não é cedendo aos seus dirigentes (na verdade, seus exploradores políticos) mas passando ao ataque contra os grandes banqueiros e capitalistas, com firmeza e decisão.
56) Um setor da oposição é formado por pessoas enganadas pelos reacionários. A revolução pode ganhar eles através de medidas de desapropriação dos grandes capitalistas e adotando medidas em interesse dos pequenos empresários e comerciantes. Devem ver que a revolução é invencível e que seus interesses estarão melhor garantidos juntando suas forças á classe operaria contra os grandes bancos e monopólios.
57) A chamada “democracia” burguesa é uma enorme fraude. Atrás dela esconde-se a DITADURA DO GRANDE CAPITAL. Esta ditadura não oprime só os trabalhadores, mas também a classe média. A fraude vazia da democracia formal –onde o poder real está em mãos dos grandes bancos e monopólios- deve ser substituída por uma democracia real –uma democracia da classe trabalhadora- baseada na propriedade coletiva da terra, os bancos e a industria.
58) É preciso aclarar bem que estas medidas de nacionalização só vão encaminhadas aos grandes capitalistas e latifundiários. Não pretendemos desapropriar os pequenos negócios, granjas ou lojas, sem papel independente na economia ao serem dependentes dos grandes bancos, supermercados, etc. Deveria ser feito um chamado aos pequenos comerciantes, etc., a apoiarem o programa de nacionalização, que também corresponde com os seus interesses.
59) A nacionalização da banca iria permitir ao governo garantir acesso ao credito barato para os pequenos comércios. A nacionalização das grandes industrias permitiria a venda de equipamentos baratos para os camponeses. A eliminação de intermediários e nacionalização das grandes empresas de alimentação, distribuição e supermercados poderia proporcionar um mercado garantido e um preço justo aos produtos dos camponeses, ao mesmo tempo que reduzir os preços ao consumidor.
60) O maior cego é aquele que não quer enxergar. Apesar de tudo, ainda tem quem defenda a diminuição do ritmo da revolução para acalmar á contrarrevolução e o imperialismo. Suas idéias podem ser sinceras, mas estão dando um falso e perigoso conselho. Não é possível deter a revolução na metade do caminho. Não pode ser feita meia revolução. Ou a revolução é levada até o final ou perecerá.
61) Os reformistas consideram-se grandes realistas. Na verdade são os utópicos mais cegos. Eles querem um capitalismo “mais humano”. Pedir ao capitalismo para se humanizar é a mesma coisa que pedir a um tigre para comer alface em vez de carne. Não é por azar que os capitalistas venezuelanos são os piores inimigos da revolução bolivariana. Não é por azar que eles lutam com todos os meios ao seu alcance para destruí-la e derrubar Chávez. Não é com finas palavras que eles serão convencidos. É preciso derrota-los e desarma-los. Seu poder econômico deve acabar. Não existe outra saída.
62) No momento atual, como o próprio presidente Chávez disse, a revolução venezuelana parece com Sísifo, o personagem da mitologia grega que empurrava uma pesada pedra até o topo de uma montanha só para vê-lo cair de novo. Com um pouco de esforço, a pedra pode ser empurrada até o topo e o problema ficará resolvido. Mas se nos determos, a pedra escorregará e atropelará muitas pessoas no processo.
63) Só o movimento revolucionário das massas impediu o triunfo da contrarrevolução no momento do golpe de estado em abril de 2002. As massas derrotaram os reacionários e os imperialistas. Nesse momento teria sido fácil derrotar decisivamente os reacionários porque estavam divididos e desmoralizados. O presidente mexendo um dedo, tudo teria terminado. A classe operaria teria tomado o poder pacificamente, sem nenhum banho de sangue ou guerra civil. Infelizmente, a oportunidade foi perdida. A revolução se mostrou moderada e prudente demais.
64) Qual foi o resultado? A prudência e a moderação impressionaram os contra-revolucionários? Acalmaram-se? Não. Ficaram mais animados. Os contrarrevolucionários aproveitaram para se agrupar e preparar uma nova ofensiva,a a chamada “greve” que tinha como objeto paralisar a economia. Todos sabemos que a “greve” foi organizada e planejada pela CIA com a ajuda dos empresários venezuelanos e burocratas sindicais corruptos. De novo, sua tentativa foi vencida pelo movimento revolucionário dos trabalhadores venezuelanos.
65) Após o primeiro golpe Hugo Chávez tentou ser conciliador com os reacionários. Tentou negociar com eles e até readmitiu os antigos diretores da PDVSA. Eles responderam organizando o lockout patronal que feriu seriamente a economia venezuelana. Quais as lições que podemos tirar? Podemos deduzir que a atitude conciliadora é a forma de desarmar a contrarrevolução e o imperialismo? Só um louco falaria assim. A verdadeira conclusão é que a debilidade convida ao agressor.
66) A experiência mostrou que a única base firme de apoio da revolução é a das massas, e na primeira fileira, a classe operaria. As massas querem defender Chávez. Como? Só incrementando a pressão desde a base, organizando comitês de ação, aprendendo a usar as armas. A forma de ajudar Chávez é levar uma luta impiedosa contra os inimigos da revolução, jogá-los fora das posições de poder que ocupam e preparar o caminho para uma reorganização radical da sociedade.
67) Em outras palavras, a chave do sucesso consiste em desenvolver e fortalecer o movimento independente da classe operaria e principalmente construindo a ala marxista revolucionaria do movimento. Nosso conselho aos trabalhadores da Venezuela é o seguinte: Confiem só na sua própria fortaleza e suas próprias forças! Confiem só no movimento revolucionário das massas! É a única força capaz de deixar para o lado os obstáculos, vencer a contrarrevolução e começar a tomada do poder nas suas próprias mãos. É a única garantia de sucesso.
68) Os reacionários estão enfraquecidos agora, mas qualquer animal encurralado pode ser perigoso. Estão desesperados e este ambiente de desespero pode levá-los a adotar métodos desesperados. Ficou bastante claro que agora estão conspirando junto com Washington e seus agentes colombianos para assassinar Chávez e criar o caos como um primeiro passo para um novo golpe. Para frustrar os planos da contrarrevolução é precisa a maior vigilância pelo movimento de massas. Só uma ação decisiva das massas pode desarmar a contrarrevolução e faze-la inofensiva.
69) O único jeito de levar até o fim a revolução é de baixo para cima. A tarefa mais urgente é a formação de comitês de ação, pela defesa da revolução. Mas nesta situação os comitês devem estar armados. A palavra de ordem no momento é milícia popular. A revolução só pode se defender dos seus inimigos com armas.
70) Chávez defendeu o armamento dos trabalhadores. Ele disse: “Cada pescador, estudante, cada membro do povo, deve aprender a usar um fuzil, porque é assim o conceito do povo armado junto ás Forças Armadas Nacionais para defender a soberania do sagrado solo da Venezuela”. Isso é mil vezes correto. Um povo que não esta preparado para defender sua liberdade com as armas na mão não merece ser livre. O armamento geral da população é condição indispensável não só para a defesa da revolução contra os inimigos internos e externos, mas também para levar a revolução até o final e defender os direitos democráticos da população.
71) As palavras do presidente Chávez deveriam ser levadas imediatamente á pratica. Á vista da ameaça dos inimigos externos e internos da revolução, o governo deveria criar escolas especiais de treinamento militar da população, Os oficiais competentes e leais á revolução devem ensinar o necessário para o uso das armas e conhecimento das táticas e estratégia. A única forma de responde á ameaça de agressão é a formação duma milícia popular de massas. Cada bairro operário, fabrica, vilarejo, escola, deve virar uma fortaleza da revolução pronta para lutar.
72) A questão do estado é a mais fundamental de todas. O próprio presidente reclama da sistemática sabotagem da burocracia, da sabotagem do parlamento pela bandidagem da oposição, os juizes reacionários, policiais, etc. Como pode a revolução ser baseada nestes velhos burocratas e funcionários herdados do passado? Como se pode confiar em juizes nomeados pelo antigo regime? Como pode ser depurado o velho estado? Nenhum demônio aceita cortar suas próprias garras! É preciso pegar uma enorme vassoura e varrer todo esse lixo. Uma nova ordem social requer um novo tipo de administração, verdadeiramente democrática, saída do povo e refletindo seus desejos e aspirações.
73) O governo realizou uma depuração parcial do estado. Isso é positivo, mas não foi muito longe. É preciso remover todos os conservadores e todos os aliados declarados ou ocultos da contrarrevolução nos postos de poder e influencia. Todo o poder deve estar nas mãos de revolucionários dedicados leais sem nenhuma dúvida á causa do povo. Uma depuração séria só pode ser feita desde a base, e só pelas próprias massas. Estas estão impacientes por agir e deixar para trás os obstáculos que impedem á revolução avançar e atingir todos seus objetivos. A chave do sucesso reside no desenvolvimento e extensão do movimento de massas organizado.
74) A única maneira de levar para frente a revolução é desde abaixo. O movimento de massas deve ter uma forma e uma expressão organizadas. Isso só pode ser feito com a criação de comitês de ação, escolhidos democraticamente em cada centro de trabalho, bairro operário, escritório, refinaria de petróleo e cidade. Os comitês devem se unir a todos os níveis –local, regional e nacionalmente-. Só desse jeito podem ser criadas as bases para um novo poder na sociedade: o poder operário.
75) A primeira tarefa dos comitês é a organização da luta contra a reação. Deveriam tomar o controle do transporte e a distribuição dos produtos básicos, controlar os preços e acabar com a especulação, a corrupção, a exploração e outros abusos, garantindo uma distribuição justa para todos. Desta forma as massas podem adquirir experiência no controle, supervisão, contabilidade e regulamento, e se preparar para maiores responsabilidades quando chegar o momento para elas de assumirem a administração da sociedade.
76) A policia metropolitana de Caracas e outras forças policiais controladas pela oposição são conhecidas por serem centros de atividade contra-revolucionárias. Funcionam como um estado dentro do estado e planejam provocações contra o governo, assassinatos e tentam criar o caos. É inadmissível. As forças reacionárias devem ser dissolvidas e substituídas por uma milícia popular sob controle dos comitês revolucionários locais e sindicatos.
77) Defendemos uma autentica democracia –uma democracia operaria- nas linhas defendidas por Lênin e implementadas pelos bolcheviques em 1917: a) eleição livre e democrática de todos os funcionários do estado, com direito a revogação; b) limitação dos salários dos funcionários públicos. Ninguém receberá um salário maior ao de um trabalhador qualificado. Outros gastos legítimos devem estar abertos á fiscalização popular; c) armamento da população, incorporação ao exercito dentro da milícia popular; d) participação de toda a população em todas as tarefas de administração da industria, da sociedade e do estado.
78) Se a contrarrevolução triunfar, o resultado será um pesadelo para a população da Venezuela. A mascara sorridente da “democracia” sumirá imediatamente para mostrar o rosto da reação. Eles têm sede de vingança pelas derrotas e humilhações sofridas nos últimos anos. Querem dar aos pobres e trabalhadores uma lição para nunca esquecerem. A vingança sobre as massas será terrível. Mas isso não quer dizer que seja inevitável. Tudo depende da classe operaria e sua direção.
79) É preciso um programa revolucionário consistente, baseado em princípios científicos. Isso só pode vir do marxismo. Para vencer esta luta de vida ou morte não basta com sinceridade e coragem. Muitas vezes na historia um exercito corajoso com muitos soldados foi vencido por um pequeno exercito de tropas bem treinadas e comandantes capazes. O papel de um partido marxista é o mesmo que o das tropas treinadas e comandantes experientes.
80) É totalmente falso se contrapor a luta pela democracia e contra o imperialismo frente á luta pelo socialismo. A luta por uma democracia revolucionaria só pode vencer na medida em que virar uma luta contra a ditadura do Capital. Por isso, a luta pela democracia, se quiser triunfar, deve levar diretamente á luta pelo poder operário e o socialismo. Não existe um “caminho do meio” e todas as tentativas de acha-lo necessariamente levarão ao desastre, a liquidação da revolução e a destruição total da democracia na Venezuela.
81) Existem algumas pessoas que se dizem marxistas mas na pratica abandonaram completamente o ponto de vista revolucionário do marxismo. Seu “marxismo” tem simplesmente um caráter abstrato e acadêmico, sem relação com o mundo real da luta de classes. Apresentam todo tipo de “inteligentes” raciocínios para tentar demonstrar que a Venezuela não está preparada para o socialismo, ou que a situação ainda não amadureceu (para eles nunca é o momento adequado) e mais cem argumentos para convencer os trabalhadores de não tentarem tomar o poder. Na verdade, eles não confiam nem na classe operaria nem na revolução. Temem a contra-revolução, temem o imperialismo e temem até o som da própria voz e desejam transmitir este temor aos trabalhadores.
82) Na verdade, a situação na Venezuela está completamente madura para a transferência do poder á classe operaria. A burguesia revelou sua total incapacidade para governar. De outro lado a revolução não chegou até o final. A única conseqüência disso é o caos. A revolução atingiu um ponto em que virou impossível o funcionamento normal do capitalismo. Os capitalistas pegam seu dinheiro e organizam uma greve de capital. Só a circunstancia favorável da alta no preço do petróleo dá ao governo a chance de manter uma aparência de vida econômica real. Mas esta situação altamente instável não pode durar. A luta de classes ameaça com produzir paralisia e colapso. Deve dar a vitória a um dos lados.
83) A argumentação de que a Venezuela não está pronta para o socialismo não resiste o mais mínimo estudo. Venezuela é uma nação potencialmente rica, com superabundância de petróleo e outras matérias primas. A classe operaria constitui a maioria decisiva da sociedade. Os trabalhadores mostraram uma enorme coragem, criatividade e espírito revolucionário. Mostraram sua vontade de mudar a sociedade e tomar o controle da industria. O que é precisam é de uma direção audaciosa.
84) Os elementos oportunistas, mascarados sob o nome do socialismo, dizem que a classe operaria não é ainda suficientemente consciente para implementar a transformação socialista da sociedade. Isso é a simples expressão do esnobismo de elementos de classe media que nem conhecem nem estão em contato com a classe operaria. Toda a experiência da luta da classe operaria na Venezuela durante os últimos anos veio mostrar o contrario. Certamente existe um problema de consciência na revolução venezuelana, mas não é um problema da classe operaria mas sim da direção do movimento operário que ficou atrás da sua classe sem tirar as conclusões necessárias.
85) Escondido atrás da contrarrevolução esta o poderoso imperialismo norte-americano. Os fios de todos os complôs e conspirações levam até a embaixada dos EUA e a CIA. O imperialismo norte-americano opõe-se inevitavelmente á revolução bolivariana porque acordou as massas de pobres e despossuidos e deu a eles uma nova esperança e um sentido da dignidade e do próprio poder. Washington está assustado porque isso serve como exemplo e guia para os trabalhadores e camponeses de toda América Latina. Eles estão decididos a sabotar e esmagar a revolução.
86) A atitude de Washington pôde ser vista no primeiro golpe, quando faltou tempo para o governo norte-americano reconhecer os bandidos contra-revolucionários. Isso provou a hipocrisia das suas palavras sobre a “democracia”. Como sempre os imperialistas dos EUA só apóiam a “democracia” quando convêm aos seus interesses. Quando eles não gostam do que a maioria votou, apóiam golpes reacionários e ditaduras. O fato do golpe em Caracas estar derrubando um governo eleito democraticamente era só um pequeno detalhe.
87) O mundo todo sabe que por trás dos atos da contrarrevolução na Venezuela está a mão de Washington. Até um cego poderia vê-lo. Mas ainda tem pessoas que pensam que o imperialismo dos EUA vai deixar em paz a Venezuela se ela deter a revolução. É a lógica de uma criança que escuta barulhos a noite e cobre sua cabeça com o lençol. Imagina que se ficar quieto e fechar os olhos o perigo vai sumir. Mas um adulto sabe que a maneira de enfrentar o perigo não é fechando os olhos.
88) Todos concordam que o imperialismo é o inimigo mais impiedoso da revolução bolivariana. Mas o quê é o imperialismo? O imperialismo é o capitalismo monopolista. É um sistema de relações mundiais baseados no domínio do planeta por um um pequeno grupo de grandes empresas, a maioria delas localizadas nos EUA. As atividades militares do imperialismo não são mais do que a expressão dos interesses destas grandes empresas. Os quartéis gerais do imperialismo ficam em Washington, mas tem seus office-boys na Venezuela –os banqueiros e capitalistas venezuelanos-. A burguesia venezuelana dança a melodia que Washington toca. Uma luta seria contra o imperialismo é impensável sem uma luta implacável contra a burguesia.
89) O imperialismo norte-americano está claramente preparando novos ataques contra a revolução venezuelana. Está espalhando a mentira de que a Venezuela apóia ás guerrilhas colombianas das FARC. Isso é uma provocação que tem a intenção de preparar o caminho para uma futura intervenção militar do exercito colombiano contra Venezuela. A acusação ao governo venezuelano de apoiar o “narcoterrorismo” é outra indicação de que o imperialismo norte-americano prepara uma agressão armada usando ao exercito colombiano e grupos paramilitares. As recentes declarações do senado colombiano assinalam na mesma direção. Agora temos a prova da atividade em solo venezuelano das bandas fascistas paramilitares colombianas. Serão as tropas de choque da contrarrevolução. Esta perspectiva coloca maior urgência á necessidade de armar a população.
90) Para garantir o futuro da revolução venezuelana é preciso derrotar decisivamente a contrarrevolução interna, eliminar definitivamente a quinta coluna que dá aos imperialistas dos EUA uma base para suas operações contra a revolução, constantemente implicada em sabotagem e conspirações com os terroristas estrangeiros para afundar o país no caos e num banho de sangue. É preciso levar a revolução até o final. Este é o primeiro passo.
91) “Mas o EUA vão nos invadir!” gritam nossos críticos. A lógica deles é que não fazendo nada se evitam os ataques da contrarrevolução e do imperialismo. O certo é o contrário.
92) Naturalmente que não queremos um enfrentamento militar com os EUA ou a Colômbia. Mas a forma de evitar o conflito não é seguir os conselhos dos reformistas, e sim o contrario. Quanto mais decidida for a atitude da população venezuelana, quanto mais demonstrar sua disposição a luta, menor será a vontade do imperialismo de encarar uma nova aventura militar. Ao contrario, quantas maiores as vacilações, maior a atitude conciliadora, maior vai ser a pressão para intervir da facção belicista da administração de Bush.
93) O imperialismo tem um poder imenso. Porém sua margem de manobra está limitada pela situação mundial. Atolado em aventuras militares no Iraque e Afeganistão, o ambiente das massas nos EUA é a cada vez mais critico. Portanto, é pouco provável uma intervenção direta na Venezuela, mesmo seguindo o esquema da intervenção no Haiti. Sabem que a Venezuela não é Haiti e que eles enfrentariam uma resistência de massas.
94) O poder do imperialismo é enorme, mas tem limite. No Iraque os invasores norte-americanos enfrentam uma insurreição generalizada das massas que eles não podem vencer, apesar do seu enorme poder militar. Enfrentando rebeliões em toda parte eles não teriam capacidade de intervir.
95) Napoleão insistiu na vital importância que na guerra tem a moral. Não é só uma questão de armas e tecnologia militar, mas de vontade de lutar e vencer. As massas já demonstraram que estão prontas para lutar na defesa da revolução. Em duas ocasiões derrotaram á contrarrevolução. Será que não lutariam com mais entusiasmo se tivessem o poder nas suas mãos? Quaisquer tentativas de preparar uma agressão armada contra a Venezuela toparia de frente com greves, manifestações e rebeliões. Iraque mostrou que é impossível submeter todo um povo quando este está armado e mobilizado para a luta. Mas a melhor defesa é uma política internacionalista.
96) É verdade que o imperialismo tem um enorme poder e reservas. Mas possui reservas a revolução venezuelana? Possui, sim, umas enormes reservas de apoio entre as massas dos povos oprimidos e explorados da América Latina e a classe operária do mundo todo. Por isso uma política internacionalista é essencial. Com o poder nas suas mãos os trabalhadores devem fazer um chamado aos trabalhadores do resto do continente a seguirem seu exemplo.
97) Por toda a América Latina existe pobreza, fome e desespero. Um chamado revolucionário seria escutado. Os imperialistas e reacionários ficariam paralisados se enfrentarem um movimento revolucionário geral. Isso teria serias conseqüências dentro dos próprios EUA, aonde o ambiente das massas vai mudando por causa da aventura iraquiana.
98) A revolução bolivariana não pode triunfar se permanecer dentro dos limites do capitalismo. Não pode se manter por tempo indefinido dentro dos estreitos limites do estado nacional. A revolução bolivariana pode começar na Venezuela, mas sua vitória final depende da derrubada dos governos dos exploradores na América latina e além.
99) A visão original de Bolívar –o grande filho do povo venezuelano- não era uma revolução nacional, mas uma revolução para unir todos os povos da América Latina e o Caribe. Era realmente a única forma de conseguir a verdadeira independência, liberdade e prosperidade do continente. Mas a visão de Bolívar foi traída pela burguesia e a aristocracia local. As oligarquias avarentas e corruptas balcanizaram o território latino-americano, dividido em estados que freqüentemente provocaram guerras fratricidas por territórios. Isso enfraqueceu á América Latina e colocou-a sob o domínio do imperialismo, que na base do saque das riquezas, destruiu seu enorme potencial e reduziu sua população á miséria e desespero.
100) Hoje, a visão de Bolívar duma América Latina unida mantém sua validade. É a única formula para o avanço. Mas nunca poderá se produzir sobre a base do capitalismo. A burguesia teve quase duzentos anos para provar o que pode fazer, e mostrou sua quebra total. Só o proletariado, junto com os camponeses, os pobres urbanos e demais classes exploradas, pode atingir este objetivo. Para isso deve desapropriar os latifundiários e capitalistas, para criar uma Federação Socialista da América Latina.
101) Com a união das enormes riquezas da América latina num plano socialista de produção comum, o enorme potencial econômico do continente poderia ser materializado pela primeira vez. Em comparação, os pequenos e mesquinhos projetos da burguesia, como o MERCOSUL, mostrarão sua insignificância. No espaço de dois planos qüinqüenais seriam gerados suficientes recursos para transformar completamente as vidas de milhões de homens, mulheres e crianças. ‘E a perspectiva que oferecemos ás massas da América Latina. A única causa pela que vale a pena lutar. Quando as massas forem cientes do potencial, lutarão com energia. Enfrentando uma insurreição revolucionaria generalizada na América Latina, os imperialistas dos EUA mostrariam toda sua impotência. Se eles são incapazes de submeter ao Iraque, ainda menos poderiam submeter toda a América Latina. Em vez de ter capacidade de intervir, enfrentariam movimentos revolucionários em casa.
102) Os céticos podem dizer que é utópico. Mas o que é realmente utópico é pensar que com “moderação” podemos evitar a reação. As condições para a revolução socialista estão maduras na Venezuela e estão amadurecendo pela América Latina. O que se precisa é uma direção corajosa e ciente que comece a agir. Os “realistas” que tentam deter a revolução no meio do caminho, independente da sua intenção, brincam do mesmo jogo que a contrarrevolução. Defendem a pior das utopias.
103) A lógica da situação está impulsionando á classe operaria á toma do poder nas suas mãos. Esta tarefa seria imensamente mais fácil se existisse uma poderosa tendência marxista no movimento bolivariano que empurrasse nesse sentido. Mas o movimento está confuso, seu programa não está claro. É preciso aclarar esta confusão sem demora e fixar claramente os objetivos do movimento.
104) As forças do marxismo existem, mas são ainda muito fracas para oferecer uma direção decisiva. A mais urgente tarefa é recuperar estas forças tão rápido como for possível e juntar todas as forças do marxismo autentico como o único setor consistentemente revolucionário do movimento bolivariano. A unificação de El Militante com El Topo Obrero (A Toupeira Operaria) marcou um passo importante nessa direção. Mas foi só o primeiro passo. Outros devem seguir.
105) O maior perigo para os marxistas venezuelanos é a impaciência, o sectarismo e o ultraesquerdismo. A Corriente Marxista Revolucionaria é hoje uma minoria dentro do movimento de massas. Não podemos impor nossas soluções a ele. Devemos resistir as tentações de apresentar um ultimato. Devemos ser pacientes com as massas, trabalhar junto com elas para ganhar seu respeito e sua confiança. Nossa palavra-de-ordem é a de Lênin em 1917: Explicar pacientemente!
106) Devemos ser uma parte integrante do movimento de massas, a ala esquerda do Movimento Bolivariano. “Mas isso leva a sacrificar a independência do partido”, dizem os sectários. Na verdade, a independência da ala marxista é uma questão política e não organizativa. Devemos ser absolutamente independentes nas nossas idéias, programa, política e metodologia. Devemos também lutar para levar estas idéias ao movimento de massas, alimentá-lo com as idéias do marxismo e lutar para ganhar a maioria. As condições estão maduras, porque a experiência concreta da classe operaria nos últimos anos as leva a conclusões mais avançadas.
107) A primeira tarefa é ganhar os trabalhadores e jovens mais avançados, ativos nas organizações revolucionarias e ao redor delas (Círculos Bolivarianos, assembléias revolucionarias, sindicatos democráticos, etc.). Ganhando os elementos mais avançados poderemos chegar, através deles, até as massas. Devemos dizer aos ativistas do movimento que os marxistas somos também parte do movimento. Estamos prontos para trabalhar por ele, construí-lo, fortalece-lo e lutar junto com vocês contra os nossos inimigos comuns. Não procuramos impor nossas idéias. Só pedimos o direito de defender o nosso ponto de vista de classe independente e lutar pelas nossas idéias dentro do movimento.
108) Não existe contradição nenhuma entre a construção de uma corrente marxista revolucionaria e a participação ativa no Movimento Bolivariano. Na verdade, as duas coisas são inseparáveis. Os marxistas devem trabalhar junto com as massas, empurrar o movimento para frente, explicar a cada momento o que é preciso para o trunfo do movimento.
109) A primeira condição para o sucesso é a formação de quadros. O único que nos separa do resto do movimento, além de sermos os elementos mais militantes e revolucionários, é a nossa atitude seria com a teoria e as idéias. O marxismo é o socialismo cientifico e o ponto de vista cientifico é absolutamente necessário se a classe operaria quer vencer. Temos um entendimento claro dos acontecimentos nacionais e internacionais, um método e uma estratégia coerentes. Em comparação, todas as outras tendências caracterizam-se pela confusão, falta de claridade, ambigüidade e completa falta duma estratégia coerente. Os efeitos ficarão ao descoberto quando se desenvolverem os acontecimentos. Os jovens e os trabalhadores começarão a entender através da sua experiência a superioridade do marxismo.
110) Ou a maior das vitórias ou a mais terrível das derrotas, é a eleição que tem pela frente a revolução venezuelana.
Cidade do México
20 de maio de 2004
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